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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sobre Meninos, Mendigos e Poetas

PEÇA ASSISTIDA NO DIA 01 E 02 DE OUTUBRO
Sobre Meninos, Mendigos e Poetas
Uma grande peça, pena que só assisti agora, queria que muitos amigos tivessem visto. 
Quero relatar as minhas impressões sobre este grande trabalho que assiti, não vou contar ou detalhar a historia mas sim comentar tudo que percebi deste trabalho. Eu ajudei várias vezes na entrega da sopa pra pessoas pobres na rua e acho que isso me ajudou muito a ver com outros olhos essa peça.
Quando entrei na peça logo de cara me deparei com 2 mendigos, um menino e outro mais velho pulando corda, o figurino estava perfeito e suas ações e seus olhares nos fazia até duvidar que eram atores, muitos pensaram que eram mendigos de verdade, gente de rua que encontraram e colocaram em cena.
Ali naquela peça via a história de um menino a procura do amigo Mancebo que pedia ajuda  ao companheiro mais velho mais vivido , pra encontra-lo. Já percebi logo de cara, que aquela peça não seria uma simples história sobre meninos, mendigos e poetas , era sim uma história que despertava emoções , interesse, era engraçado que não dava pra imaginar qual poderia ser o fim de uma história daquelas. Uma história de uma simplicidade que de tão simples poderia facilmente escapar as grandes mensagens passadas por ela, se eu não estivesse atento a emoções geradas e depois refletidas, eu teria perdido toda essa lição de vida. O que vi lá, se vê nas ruas, todos os dias ao nosso redor, mas poucos olham realmente pra estas pessoas que moram na rua. Estes 2 mendigos nos ensinam em sua historia a simplicidade que é ser feliz sem ter nada de material, não precisamos disso pra ser feliz, nos faz perguntar aonde foi que perdemos a simplicidade de ser feliz e por que os homens passaram a condicionar tanto a felicidade a posses. Vemos duas pessoas, que sem falar abertamente, que não vivem uma sem a outra, demonstrar isso em gestos. quantas pessoas que dizem gostar uma das outras o fazem sem nunca demonstrar, fazendo falsamente ?
Uma história linda, foi o interesse do menino em saber como era o zoológico e o mais velho contar com brilho nos olhos como foi sua visita lá, mas no final sempre falando que não ia levar ele lá , que era besteira. Aquilo é simplesmente o retrato do menino que cresce vira homem e começa a negar que se divertia com tão pouco e porque é adulto acha que tem que manter uma aparência de adulto e não pode ser mais criança. Uma besteira isso, quando voltamos a ser criança e encontramos a criança dentro de nós encontramos realmente o que todos nos somos, encontramos a receita da amor a nos mesmo, da felicidade e da pureza das intenções, encontramos realmente algo valioso.
E eles dividindo o pão seco, mesmo tendo tão pouco ele dividia o pão e a pinga, quantos de nos não jogam pão seco fora e não dão valor ao que tem e não dividem nada com o conhecido, quanto mais com o desconhecido.
E quando a criança finge que morre, uma cena realmente triste, por que era uma criança que havia morrido? Não, era porque naquele momento nos ja estávamos conquistados pela sua alegria de viver e já percebíamos o quanto ela significava para o seu amigo, chorávamos por ela e seu amigo. Quantas dessas pessoas não morrem todos os dias ai foram e ninguém chora por elas ou deixam solitário seu único companheiro ?
Ali naqueles minutos de peça já havíamos nos apaixonados pela história dos 2, mas há muitos iguais a eles nas ruas precisando que alguém olhe pra eles como olhamos pra esses 2, com simples gesto de atenção.
É uma peça que nos faz pensar muito na vida, ali estava uma receita de felicidade, simples como deve ser ! 
O mendigo falou que teve um sonho ( e como sonhos são reveladores ) em que havia um ratinho que andava na cabeça num labirinto e ia comendo os pensamentos ruins. No começo pensei que o ratinho era o ego dele comendo as coisas boas da vida e de repente percebi o ratinho era amigo dele e o ratinho era o coração  (amor) que vinha e destruía o seu ego e por ser rato no primeiro momento pensei em algo ruim. Todos temos nossos sentimentos e intuições e desejos da alma que é o nosso ratinho companheiro e temos os nossos medos , apegos que tornam a nossa vida um labirinto sem fim e quando mergulhamos em nossos medos e ilusões perdemos nosso ratinho, mas ele sempre está lá e consegue comer muitos dos nossos medos e quando seguimos eles, esquecemos dos nossos medos. O mendigo seguia o ratinho com uma cordinha !
E terminam a peça na procura do Mancebo, na verdade o Mancebo era um objetivo a ser alcançado e como todos nós precisamos sempre de um sonho ou um objetivo pra caminhar e seguir nosso destino, somos todos um poeta a sonhar e caminhar, onde está o poeta no titulo do espetáculo ? Estava lá mesmo interpretando e assistindo está no meio dos 2 onde se faz o teatro, está na vida, o poema mágico de Deus.
No outro final de Semana o Felipe falou quais eram os objetivos do grupo e que era a comemoração dos 10 anos do Forfe, mostrando os momentos de dificuldade e a procura deles por algo a encontrar, acho realmente que eles atingiram muito mais que isso, ensinaram para muitos que se pode ser feliz , mesmo tendo grandes dificuldades, eles simplesmente , souberam passar que Teatro é vida, é a arte de ser feliz, basta sentir !

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